quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ecaterimburgo - A fronteira Europa e a Ásia

 

Ter começado a viagem por Ecaterimburgo teve seu valor, sobretudo do ponto de vista geográfico e histórico. A cidade foi fundada em 1723 por Pedro, o Grande, e está estrategicamente localizada na base dos Montes Urais, a fronteira entre a Europa e a Ásia. Atualmente é a capital econômica e cultural daquela região e a quarta maior cidade da Rússia, com cerca de 1,3 milhões de habitantes (atrás de Moscou, São Petersburgo e Novosibirsk).


No período comunista, o nome da cidade foi alterado para Sverdlovsk, uma tentativa de eliminar assim as ligações com o seu passado imperial. Durante a Segunda Guerra Mundial, a região experimentou um boom industrial em decorrência do deslocamento pelos soviéticos de boa parte do parque fabril localizado nas regiões ocidentais da URSS para próximo dos Montes Urais de forma a evitar a sua destruição ou domínio pelos nazistas. A cidade ficou ainda isolada do mundo e proibida para estrangeiros até 1990, devido às suas indústrias bélicas.


A cidade de Ecaterimburgo tem destaque também na história recente russa, pois foi nela que Boris Yeltsin iniciou sua carreira política. Yeltsin, quando presidente, transformou a Rússia num país capitalista por intermédio da famosa "terapia de choque" e buscou consolidar a democracia no país.
Monumento aos Soldados Desconhecidos
O acontecimento que mais chama atenção na história da cidade, não obstante, ocorreu em julho de 1918, quando os bolcheviques assassinaram, nos porões da casa Ipatiev, o Czar Nicolau II e toda a sua família, entre eles seus 5 filhos e servos pessoais. Com o fim do regime comunista, onde fora a casa Ipatiev, foi erguida a Catedral do Sangue, em 2003. A família real foi canonizada pela Igreja Ortodoxa russa como Santos Mártires. Os restos mortais da família foram localizados somente em 2008 e, após confirmação do DNA, foram finalmente sepultados na fortaleza de Pedro e Paulo em São Petersburgo, junto dos demais imperadores pertencentes à família Romanov.
 
Como já explicado no post anterior, chegamos de avião em Ecaterimburgo, e do aeroporto fomos de táxi direto para o Hotel. 


Hotel Guru
Ficamos hospedados no Hotel Guru, que ocupa os 3 últimos andares de um edifício comercial. Neste, além do hotel, havia ainda academia de dança, salão de beleza, karaokê e bar. As instalações do hotel eram simples, com free WIFI e um bom banheiro. A reserva foi feita pelo booking.com e pagamos, no próprio hotel, uma diária em quarto duplo no valor de 3000 Rublos (100 dólares). A localização deste hotel poderia ter sido melhor, mas não nos comprometeu, pois conseguíamos ir ao centro e principais atrações em 15 minutos de caminhada. A dica é procurar um hotel mais central, sugiro a localização do "Novotel Yekaterimburg Center", com a garantia de um padrão de qualidade de uma boa rede internacional. 
 

Depois de alojados no hotel, saímos andando pela cidade. A parte central possui ares europeus, belas construções e bondes que cruzam as largas avenidas. Chegamos numa sexta, e vários casais recém casados cruzavam a cidade em comitivas festivas, parando em diversos pontos para fotografias. No verão desta região, o sol se põe tarde, ficando as ruas movimentadas até quase meia noite.


Neste primeiro dia, seguimos a dica do guia Lonely Planet e jantamos no Dacha, um restaurante de comida típica russa, onde cada ambiente é decorado como uma casa russa tradicional. Era uma noite quente e resolvemos nos instalar na varanda. Aqui começou meu erro: no jantar, bebemos chopp e, para animar, algumas doses de vodka. No outro dia, as vodkas misturadas com os 9 fusos horários deixaram meu cérebro desorientado em uma rebordosa daquelas.
Noivos e suas poses

No sábado, fomos visitar a Catedral do Sangue. Ao redor da igreja, muitos casais recém casados faziam as mais esdrúxulas poses para fotografias. Quando entrarmos no seu subsolo, o clima alegre dos casamentos termina, pois foi ali onde a família do Czar foi assassinada. Uma energia pesada e triste domina o local.  
Catedral do Sangue

Batemos bastante perna pelos parques e avenidas de Ecaterimburgo. No calçadão principal, há muitas lojas, bancos, restaurantes e belas estátuas de bronze. Neste calçadão, visitamos o Museu de Belas Artes. Além do seu acervo de obras modernas, sobretudo de quadros no estilo "realismo soviético", havia uma exposição de artistas do Alasca e a relação desta região com a arte e cultura russas. Sempre é bom lembrar que o Alasca pertenceu à Rússia até 1867.   


Circulando pela cidade é possível encontrar um toque de Rússia Moderna, com cadeias de lojas e lanchonetes internacionais, belos edifícios com arquitetura destacada. A cidade mistura antigos prédios comunistas e casarões do período imperial com torres modernas, deixanod a cidade  interessante e muito bonita do ponto arquitetônico.


No fim do dia, com minhas idéias voltando ao normal, pegamos nossas mochilas e rumamos para a estação de trem e literalmente embarcar na Transiberiana. Nosso primeiro trem seria o 26 Moscou-Novosibirsk, o trem chegaria na estação às 20:31,  30 minutos antes de seu horário de partida como de praxe nas ferrovias russas.
Estação de Ecaterimburgo

A estação de Ecaterimburgo é uma das mais belas da Transiberiana, com amplos saguões ornado por belos lustres. As estações de trem foram as grandes obras dos governos comunistas, usados como um simbolo da igualdade. Elas possuem vida própria, possuindo os mais variados serviços desde alimentação, bancos, pequenos comércios, toda estrutura é preparada para o longos invernos de temperaturas congelantes.  
Nas salas de espera do segundo piso, belos painéis foram pintados para exaltar feitos históricos do povo russo, exaltam fatos como: batalhas, exploração espacial e esportivos. Um painel de destaque e merece ser observado é o que ilustra o avião espião Norte-Americano, pilotado pelo Capitão Gary Powers, sendo abatido em solo russo na década de 60, um dos fatos mais quentes da Guerra Fria.
Abate do avião espião
Homenagem às realizações do povo e do esporte Russo
Merece destaque  sala de espera com um belo e equipado espaço Kids.
Espaço Kid
Próximo das 20 horas, o painel informou a chegada do trem 26 Moscou-Novosibirsk na plataforma 2 e o grande momento havia chegado.

Continua...
www.viajarepensar.blogspot.com.br/pegando-uma-praia-na-siberia.html

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Voos e fusos horários antes de embarcar no trem

Para chegar na Rússia e iniciar a viagem com o trem Transiberiano foi uma maratona de  longos voos a partir do Brasil. O primeiro voo saiu de Florianópolis na quarta dia 18 de julho às 13:50h, e cheguei em Moscou somente na quinta às 22:50h. Nesta primeira etapa, voei com a TAM de Florianópolis à Guarulhos e em seguida até o aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. De Frankfurt até Moscou, segui com a Lufthansa, parceira pela Star Aliance.
Agito de Guarulhos

O voo de Guarulhos para Frankfurt foi realizado num Boeing 777 novinho, que partiu pontualmente e o serviço foi muito bom. Os comissários de bordo bem atenciosos e a refeição em bom padrão. Gosto muito do serviço prestado nos voos internacionais da TAM, e sempre que possível opto por ela, mas é claro que  $$$, neste caso, sempre é a minha primeira opção e o custo/beneficio tem que valer a pena.




O gigante A380, a primeira vez a gente não esquece
Dupla de Gigantes lado a lado o Boeing 747 e o Airbus A380

Chopp no Goethe
Foi um grande prazer fazer esta conexão em Frankfurt,  pela primeira vez observei os gigantes Airbus A380, admirado como todo menino apaixonado por aviões. A conexão foi muito tranquila, o aeroporto é muito organizado e fácil, as salas de embarque de Frankfurt são amplas, tudo tão eficiente que até consegui tomar um chopp no Bar Goethe, afinal era minha primeira vez em solo Alemão e nada melhor do que um choppinho. Nas salas de embarque me chamou atenção os aquários para os fumantes. Em 3 horas eu já estava voando num Airbus A321 da Lufthansa rumo ao Aeroporto de Domodedovo, em Moscou. Viajem tranquila sem nenhum susto ou falhas nos 3 voos.
Aquário dos fumantes no Aeroporto de Frankfurt
Somando todas as horas voando e os intervalos de conexões foram aproximadamente 24 horas para chegar em Moscou, chegando lá mais 7 horas de fusos horários em relação ao Brasil, e era só o começo, em Vladivostok ao final da rota Transiberiana seriam 14 horas em relação o Brasil.
Guichês no Domodedovo, qual  seu próximo voo?
A319 verde da S7
Na sexta às 14 horas estava novamente embarcando no Domadedovo, mal havia pousado em Moscou, e peguei voo da companhia russa S7 para Ecaterimburgo. A S7 é uma das poucas companhias aéreas da Rússia membro da IATA, utiliza somente aeronaves Boeing ou Airbus, e todos pintados com um verde inconfundível #periquito. Outro detalhe em Ecaterimburgo adicionamos mais 2 horas de fusos, então apesar das 2 horas de voo, pousamos em Ekaterimburgo às 18 horas de horário local, sendo que, eu já estava a 9 horas do Brasil
Resolvemos iniciar em Ecaterimburgo e assim diminuir um dia de trem em relação a  Moscou. A rota Transiberiana clássica é iniciar a viagem partindo em Moscou e chegar à Vladivostok, com 9288 quilômetros percorridos em 7 dias dentro do trem.
Entre Moscou e Ecaterimburgo com o transiberiano a sugestão é fazer uma parada em Kazan ou Cazã, capital do Tartaristão. Sugiro a leitura do post do Gabriel quer Viajar sobre o Tartaristão para saber das belezas e curiosidades da região, e ver o que perdi.
Aeroporto de Ecaterimburgo
O aeroporto de Ecaterimburgo apresenta uma boa estrutura, porém estava em reformas para a Copa do Mundo de 2018 em que a cidade será sede de grupo. Todo o investimento está sendo realizado para proporcionar conforto aos visitantes, muito "semelhante" ao que está ocorrendo por aqui, em terras Brasilis
O aeroporto está ligado ao centro da cidade por uma linha de trem. Com estávamos em três optamos por pegar um táxi ao hotel que custou 300 Rublos (10 dólares).
Publicidade da Malboro no Aeroporto, na Rússia é fumo free.
Meu sábado em Ecaterimburgo foi um dos dias mais desorientados da minha vida, 9 fusos horários em 2 dias, muitas horas de voos, algumas doses de vodka e um calor enorme, fiquei viajando na viagem :). 

Continuem acompanhando que a diversão está só começando ...

Veja meu post sobre Conexões Aéreas: 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Transiberiana - Antes de embarcar estude a Rússia

Uma visita à Rússia não pode ser vista como uma viagem à extinta União Soviética, o passado recente comunista não é algo que os russos de hoje tenham orgulho ou gostem de mostrar. A vida nas cidades russas é muito semelhante a de qualquer aglomeração urbana no Ocidente. Há fast foods, publicidade por todos os lados e carros das principais montadoras internacionais (Hyundai, BMW, Audi, Mercedes etc) - bem como muitos Ladas perdidos no meio do trânsito. Moscou impressiona pelo seu luxo (sustentado pela maior concentração de bilionários do mundo!!!), dinamismo e diversidade.


Acredito que quem planeja uma viagem pela Transiberiana não está atrás dessa Rússia moderna e luxosa, mas sim de uma viagem no tempo pela observação de cidades isoladas que estão literalmente no meio do nada; de histórias do passado recente; e de um povo guerreiro que conquistou vasto território (1/6 da massa terrestre global!!). Recomendo estudar a história do povo russo e aprender como eles conseguiram conquistar e manter este enorme território; a  geografia e os seus efeitos sobre os costumes locais; os heróis nacionais; e os símbolos das cidades visitadas.



Importante saber que a Rússia é um país de vários povos. O russo tradicional, o eslavo, aquele de cabelos loiros e rodeado de belas mulheres,  possui origem nos povos que habitavam o norte do Mar Negro, hoje Ucrânia. Na sua expansão em direção ao extremo oriente, os russos contaram com a ajuda dos cossacos, os eslavos da fronteira que bravamente foram colonizando e conquistando terras que até hoje pertencem à Federação da Rússia. Trilhando o caminho até a porção mais oriental do país, a maioria eslava vai dividindo o território com povos de olhos puxados, como mongóis, buriáticos (você já ouviu falar neles?), chineses, entre outros, mas todos já considerados russos.

Os Czares ou Tzares, como eram conhecidos os imperadores russos, passaram a governar o país a partir do século XVI, sendo o clã Romanov a família dominante. Pedro, o Grande, governou e modernizou a Rússia entre os anos de 1682 e 1725. Uma das maiores realizações de Pedro foi a mudança da capital de Moscou para a então recém-construída São Petersburgo, uma cidade planejada e desenhada para ter os ares de Paris (arquitetura) com o charme de Veneza (canais). Nicolau II foi o último Czar russo, tendo sido ele e toda sua família assassinados em 1918, em Ecaterimburgo, pelos revolucionários comunistas. No lugar onde a família imperial foi morta, há hoje uma Catedral.
Na Sibéria, é importante estudar quem foram os "decembristas", que, exilados da parte européia russa após fracassada tentativa de assassinar o Czar Nicolau I (1825), estabeleceram-se em sua maioria na cidade de Irkutsk. Muitos de nós somente sabemos que Vladivostok é a base para invadir o Alasca no jogo War. A verdade é que Vladivostok é muito mais, inclusive a sua localização real é estratégica por outros motivos, em especial pela sua proximidade com China, Japão e Coréias, bem como pelo seu porto no Oceano Pacífico de águas perenes.

 

Você está planejando visitar a Rússia e viajar pelo trilhos da Transiberiana??? A dica é começar a estudar a história e a geografia desse imenso país. Boa viagem!!!

Sugestões de Leitura:

O Guia Lonely Planet :  Trans-Siberian Railway, é o não saia de casa sem ele. Indispensável, boas dicas e com muitas explicações históricas dos pontos a serem visitados. Muitos dos fatos históricos importantes estão explicados com a devida atenção. Pode ser comprado o .pdf direto no site: 
www.shop.lonelyplanet.com/trans-siberian-railway

O Ressurgimento da Grande Potência, livro do catarinense e atual Embaixador do Brasil na Coréia do Norte Roberto Colin. Relata o panorama das transformações ocorridas na Rússia nos últimos anos. Importante para entender a situação econômica e política da Rússia.




O Aleph do Paulo Coelho, é  um romance que se passa na viagem que o autor fez nos trilhos da transiberiana. Gostei é bastante inspirador, tem fatos interessantes sobre a viagem no trem transiberiano. 



Minhas principais fontes de pesquisa iniciavam pelo Google, seguia principalmente pela Wikipedia e Wikitravel ,ambos na versão em Inglês. Infelizmente, em português são poucas fontes, ou quando encontrado o conteúdo é escasso e fraco. Minha rotina de pesquisas iniciavam com o nome de uma cidade que iríamos parar, ia linkando a um General/Personalidade, voltava para uma região e ia me informando.
 
Ecaterimburgo www.ekaterinburg.com/city/history 

Novosibirsk www.novosibirskguide.com 

Irkutsk www.irkutsk.org/history.html 

Ulan-Ude www.wikitravel.org/ulan_Ude

Khabarovsk www.wikitravel.org/Khabarovsk

Vladivostok www.wikitravel.org/Vladivostok

Para todos os destinos na Rússia pesquise no: www.waytorussia.net