sábado, 10 de novembro de 2012

República Buriátia, você ouviu falar dela?




A Buriátia ou Buriácia é umas das republiquetas anexadas ao território russo durante o século XVIII. A região era habitada por tribos nômades, os Buriatas, um povo com hábitos de vida tranquila, caçadores e sem grandes cidades. Os buriatas habitavam as planícies da Mongólia, um dos povos do grande império do Gengis Khan. Segundo a lenda a mãe do Gengis Khan era de uma das tribos buriata e vivia à beira do lago Baikal.



Geograficamente a república Buriatia está ao sudeste da Sibéria, sendo a margem sul e leste do lago Baikal, a fronteira sul é feita com atual Mongólia. As temperaturas médias no verão são de 18,5ºC e no inverno de -22ºC, um extremo climático enorme.





Os buriatas foram extremamente reprimidos durante os tempos soviéticos, muitos dos fatos da história passada foram eliminados, poucas coisas publicadas sobre a história dos Buriatas sobreviveram. Como todas as outras religiões , religião Xamanista  voltada para a natureza da região e a energia do lago Baikal também foi publicamente proibida. Os xamãs foram perseguidos, e muitos sobreviveram escondidos nas montanhas da região durante a época soviética. Atualmente os xamãs são procurados para  purificações e conversas com os Deuses à beira do lago para rituais. 



Chegamos em Ulan-Ude a capital da Buriátia vindos de Irkutsk, foi nosso trecho mais curto da Transibeirana. Saímos de Irkurtsk pontualmente às 7:57 com trem 8 Novosibirsk-Vladivostok e chegamos às 14:27. Foi a única viagem completamente diúrnas. Ulan significa vermelho na língua Buriata, uma homenagem às àguas barrentas e avermelhas do Rio Ude.


Já na estação de Ulan-Ude a sensação de mudança de país é enorme, o povo na estação eram na sua maioria orientais, o clima era mais seco e havia uma poeira no ar. Neste estação a Transiberiana se divide entre os que seguem para a TransMongoliana cruzando a Mongólia finalizando a viagem em Pequim, na China, e os que seguem no traçado original da Transiberiana rumo ao leste, até Vladivostok.




Na frente da estação pegamos um táxi para nosso hotel. No caminho atravessamos uma ampla avenida, com vários blocos de edifícios populares da URSS, entramos numa ruela e para nossa surpresa nosso hotel era o primeiro andar de um dos edifícios soviete. Após a queda do comunismo, muitos edifícios por toda a Rússia foram abandonados ou vendidos, algumas pessoas adquiriram estes edifícios ou somente andares e os transformam pequenos Hotéis ou Pousadas. A primeira vista assustou, mas com funcionários atenciosos e quartos razoáveis, principalmente pelo preço valeu a experiência de se hospedar no Ulan Hotel. Realizei a reserva do Ulan Hotel pelo Booking, pagamos 2000 rublos (60 dólares) para o quarto duplo. O café da manhã foi servido no quarto com café, iogurte, torradas, ovo frito, fatias de queijo e tomate, simples e gostoso.



Chegamos no meio da tarde e fomos bater perna pela cidade. Ulan-Ude possui uma atração exótica e famosa o maior busto do Lenin de toda ex-URSS, bizarro. 

 

A praça central da cidade é cercada de prédios administrativos e não possui nenhuma igreja, algo bastante diferente de todas as paradas até agora da Transiberiana, que sempre apesar de fechadas durante a URSS sempre uma Catedral Ortodoxa existia na praça. 

 

Para variar era domingo e a praça estava cheia de recém-casados e suas fotografias pelas cidade. Diferente de todas as outras paradas, em Ulan-Ude parecia que o mundo havia parado, um ar bastante nostálgico e o povo basicamente oriental, um dos pontos mais diferentes da viagem.

Na lateral de uma das avenidas da praça Lenina, avistamos um bem longe uma Igreja Ortodoxa, sem grande relevância na cidade.

  
A região de Ulan-Ude possui uma grande base militar, sendo estratégico pelas proximidade das fronteiras com China e Mongólia. Durante a tarde um grande avião militar russo fazia manobras pelos céus da cidade.

Como não podia faltar um monumento em Memória das Vítimas da Segunda Guerra, num belo parque.   

Tentamos ir no Museu da Cultura Buriata mas já estava fechado, as atrações na Rússia geralmente fecham por volta das 17 horas, com raras excessões. 

Curiosamente numa das avenidas de Ulan-Ude havia esta propaganda do Gold of Brazil, revendedor de jóias com ouro e pedras exóticas Brasileiras. Segundo meu irmão um produto de grande sucesso na Rússia.

Voltamos ao Hotel para descansar no fim de tarde, porque à noite planejamos uma aventura gastronômica. Fomos jantar no restaurante de comidas típicas da Mongólia o Modern Nomads.

A comida era diferente, os pratos apresentavam com aspecto modernizado, não de comida típica.
O grande inconveniente, foi que por volta das 23 horas, entraram dois seguranças mal encarados no restaurante e simplesmente mandaram todos embora, além de nós haviam mais duas outras mesas ocupadas, literalmente chutaram a gente do restaurante.



Após sermos expulsos do Modern Nomads, resolvermos beber um cerveja e no bar aconteceu um fato marcante, nunca eu havia entrado num lugar onde somente eu e meu irmão éramos os únicos Ocidentais, explicando sem olhos puxados. Sim estávamos na Rússia.

No outro dia continuávamos em Ulan-Ude para uma uma visita inesquecível ao Datsan Budista Ivolginsk.

Continua ...

Outras curiosidades na Série Planetóvski do Gabriel quer Viajar :

4 comentários:

  1. Adorei este post haha! As noivas posando na praça e a expulsão pela máfia russa :-D Cada história que você tem pra contar desta viagem, muito bacana! Abraços,

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  2. Oi Lu

    Sabe que achamos realmente que era golpe, que na saída iríamos ser assaltados.
    No fim eram funcionários da segurança mesmo, havia uma viatura de polícia a uma quadra.

    Hoje é história :)

    Valeu

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  3. Gente... Eu achava que esse desfile de noivas pelos domingos era coisa só dos Romenos. Pelo jeito não, né? Post muito legal! Tô seguindo a tua série por aqui também!!!

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  4. Grande Gleiber

    Hehe esse povo do leste Europeu e Rússia são malucos por casamentos e adoram mostrar esta felicidade pela rua das cidades.

    Abraço!!!

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